quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Na capoeira, a volta é por baixo

“Levanta, sacode a poeira e dá volta por cima”, cantava Paulo Vanzolini. Seria esta a trilha sonora dos que finalmente tiraram o PT do governo federal? Nada disso.

Para começar, somos um país que nasceu sob o governo de um herdeiro da mesma monarquia que nos colonizou por séculos.

A abolição da escravidão foi adiada muitas décadas, à espera dos acertos necessários para impedir prejuízos à elite escravocrata.

A República foi decretada por um monarquista, junto a republicanos que tinham nojo de povo.

O golpe de 1930 foi dado por um ex-ministro do governo golpeado, que uniu a elite ao garantir controle férreo sobre as organizações sindicais.

Getúlio preferiu o suicídio e Jango, o exílio, a promover um levante popular contra aqueles que eram seus inimigos políticos, mas seus irmãos de classe social.

A “redemocratização” só começou após conchavos de gabinete garantirem impunidade aos carrascos da ditadura empresarial-militar.

Logo após ser aprovada, a Constituição “Cidadã” começava a perder direitos em votações no Congresso Nacional, graças a trocas de cargos e favores.

Finalmente eleito um governo de esquerda, ministérios e setores estratégicos ficaram sob controle da direita. Henrique Meirelles à frente.

Um golpe substituiu Temer por Dilma. Mas no ministério e no apoio parlamentar continua a escória que passou pelos vários governos petistas. Henrique Meirelles de volta.

Na verdade, nossas elites dominantes sempre deram a volta por cima, mesmo que nunca tenham levado tombo algum.

Aos que lutam, só resta manter a confiança nas mobilizações de baixo para cima. Aquelas que, inspiradas na capoeira, dão a volta por baixo para derrubar o inimigo.

Leia também: Sobre golpes e contragolpes

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Monstros do dinheiro e da informação

Recentemente, foi lançado o filme “Jogo do Dinheiro”, dirigido por Jodie Foster. A produção denuncia fraudes no mercado financeiro enquanto problematiza o papel da grande mídia nessas situações.

Um dos aspectos que chama a atenção no filme é a crescente importância das transações financeiras robotizadas. São algoritmos complexos que realizam milhares de operações financeiras em frações de segundo.

É exatamente este o tema do recente do livro “A Finança Digitalizada: Capitalismo Financeiro e Revolução Informacional”, de Edemilson Paraná. Em 29/08, Patricia Fachin e João Vitor Santos publicaram entrevista com o autor na IHU-Online.

Entre as muitas informações importantes, merece destaque a crescente confusão de papéis entre jornalismo e especulação financeira. Segundo Paraná, em 2014:

...dos 150 jornalistas que trabalhavam em uma grande agência de notícias no Brasil, 120 estavam dedicados apenas à produção de informações em tempo real para o mercado de capitais. A razão de tal fato não poderia ser outra: um de seus representantes nos relatou que o segmento de informações em tempo real para investidores é altamente lucrativo, com margem de retorno acima dos 30% de ganho, e já é responsável, inclusive, por quatro quintos de todo o faturamento da agência.

O grande problema, diz ele, é a contradição entre o papel da imprensa como instituição pública e empreendimento com fins lucrativos. Trata-se de mais um passo na “colonização do mundo social pela dominância financeira”, atingindo também “a produção de conhecimento e informação”, conclui Paraná.

No filme, a imprensa acabou ganhando um final feliz. Mas, na vida real, ela faz parte do mecanismo que justifica o título em inglês da produção: “Money Monster”.

Leia também: Jesse Owens contra o racismo

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Em busca de luz na Guerra Civil Espanhola

Há 80 anos tinha início a Guerra Civil Espanhola. De um lado, as forças fascistas com apoio de Exército, Igreja e latifundiários. Do outro, uma frente popular formada por sindicatos, partidos de esquerda e republicanos.

Em apoio aos primeiros, Hitler e Mussolini. Já os segundos, contaram com uma ajuda soviética completamente insuficiente. O conflito foi utilizado pelas forças fascistas como um campo de treinamento para a Segunda Guerra, incluindo o massacre de centenas de milhares de civis. 

A guerra foi tema de grandes obras literárias. Uma delas é “Lutando na Espanha”, de George Orwell, que pegou em armas contra os fascistas. No capítulo “Recordando a Guerra Civil”, o escritor e revolucionário inglês discute o papel dos trabalhadores na resistência ao fascismo:

A longo prazo - sendo importante lembrar que isso só acontece a longo prazo - a classe trabalhadora continua sendo o mais ferrenho inimigo do fascismo, simplesmente porque ela é que mais tem a ganhar com a reconstrução decente da sociedade. Diversamente de outras classes ou setores, não pode ser permanentemente subornada.

Orwell também compara a luta da classe trabalhadora a uma planta:

A planta é cega e ignorante, mas sabe o bastante para continuar subindo para a luz, e fará isso a despeito de todas as dificuldades e empecilhos. Pelo que estão lutando os trabalhadores? Apenas pela vida decente que cada vez mais sabem ser tecnicamente possível.

É verdade que não há garantias de que a planta alcance a luz. Mas no conflito espanhol e durante a Guerra Mundial, foram as forças da esquerda europeia que travaram o combate mais heroico às trevas fascistas. 

Leia também: Psicologia de massas e capitalismo

domingo, 28 de agosto de 2016

O Antropoceno e Chernobyl

Em 27/08, começou o 35º Congresso Internacional de Geologia, na África do Sul. No maior evento dessa área científica, ganha força a proposta de denominar “Antropoceno” a atual era geológica.

Segundo a tese mais aceita, essa fase geológica começou no século 20, quando a humanidade teria passado a afetar o destino do planeta tanto quanto placas tectônicas e vulcões.

Um exemplo nada tranquilizador desse poder recém-adquirido seria a catástrofe nuclear ocorrida em 1986, em Chernobyl, Ucrânia. Em 2012, o músico e pesquisador sonoro Peter Cusack lançou o livro “Sons de lugares perigosos”, que descreve a paisagem sonora predominante no lugar.

Os ruídos registrados indicam que há muitos pássaros e outros animais circulando pela região. Mas, após 30 anos, a radiação continua a impedir a presença humana. Por outro lado, assusta ouvir o zumbido permanente de cabos de alta-tensão que não puderam ser desligados.

Mais recentemente, drones foram enviados para fazer imagens de Chernobyl. São cenas deprimentes. Um parque de diversões entregue à ferrugem, fábricas fantasmas, refeições interrompidas em mesas empoeiradas...

Mas não devemos temer apenas um apocalipse nuclear, apesar de Fukushima e das cerca de 450 instalações atômicas espalhadas pelo mundo. Trata-se das muitas escolhas desastrosas que fazemos há mais de um século, incluindo as apostas soviética e chinesa no sujo desenvolvimento capitalista.

Largo uso de combustíveis fósseis, generosas doses de agrotóxicos, grandes hidrelétricas criando lagos de gás metano, desmatamento liberando novas doenças... O que não faltam no Antropoceno são alternativas do tipo “Escolha a catástrofe”.

Não é difícil imaginar um planeta vazio de pessoas, enquanto poderosos fios elétricos zumbem levando energia para ninguém. 

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Jornada de trabalho e vampirização de almas

Declaramos que a limitação da jornada de trabalho é a condição prévia, sem a qual todas as demais aspirações de emancipação sofrerão inevitavelmente um fracasso.

Esta frase é de 1866 e está no documento de fundação 1ª Associação Internacional dos Trabalhadores. Seu autor foi Karl Marx, para quem retomar o tempo que os patrões roubam dos trabalhadores sempre foi fundamental.

Desde então, lutas e sacrifícios de várias gerações de explorados conseguiram reduzir a jornada de trabalho em grande parte do mundo.

No entanto, os capitalistas não brincam em serviço. Ao contrário, somos nós que continuamos a servi-los até quando pensamos estar nos divertindo. É o que constata, por exemplo, Renan Porto em artigo publicado no portal UniNômade, em 27/07:

O capitalismo já funciona (ou dis-funciona) 24 horas por dia, 7 dias por semana, colocando todo o seu exército para trabalhar, sem qualquer reserva. Todo o tempo está a serviço da produção, o lazer, o sono, a sexualidade. Inclusive quando buscamos nos qualificar para trabalhar, já que hoje a formação é permanente e infinita. Nossos próprios sonhos muitas vezes coincidem com os percursos do capital.

Para confirmar basta olhar para o que muitos de nós fazemos nas horas vagas. É novamente Porto quem dá exemplos:

Netflix, Hollywood, Facebook, Google, academias, lanchonetes e bares, marcas de bebida e alimentos, empresas de tecnologia de comunicação, tudo isso para lucrar depende de margens de liberdade e da produção das subjetividades. Precisam delas como o vampiro precisa de sangue.

Enquanto não dermos atenção também a nossas necessidades subjetivas, junto com o tempo, são nossas almas que o capital continuará a sugar.

Leia também:
Mantenha um backup de sua alma no Facebook

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

A Reforma da Previdência e a ressaca garantida

Esta semana, um milhão de chilenos foram às ruas contra seu sistema privatizado de previdência. Nele, os trabalhadores contribuem com 10% de seus salários, mas em vez do retorno de 70% prometido só recebem cerca de 35%. Além disso, 90% das aposentadorias pagam apenas metade do salário mínimo.

No entanto, dinheiro não falta. São seis fundos de pensão controlando juntos 143,5 bilhões de euros.

Nos anos 80, um comercial de bebida mostrava um personagem se deparando com uma imagem de si mesmo, avisando: “Eu sou você amanhã”. Para escapar da ressaca do dia seguinte, o segredo era beber a vodca Orloff, dizia a propaganda. O slogan transformou-se no “efeito Orloff”, sinônimo de coisas ruins que poderiam acontecer num futuro próximo.

Por exemplo, diante da crise econômica na Argentina, muitos analistas e jornalistas avaliavam que o mesmo aconteceria no Brasil em breve. “Eu sou você amanhã”, nos diriam os habitantes do país vizinho.

Pois bem, o sistema de pensões chileno foi criado em 1981 pela ditadura Pinochet. Incluía todos menos Forças Armadas, polícia e outros órgãos de segurança, que ficaram com normas menos prejudiciais. Não demorou para que a maioria dos chilenos passasse a amargar uma terrível ressaca.

No Brasil, várias reformas da previdência foram adotadas tendo como modelo o sistema de Pinochet. De Collor a Fernando Henrique, dos governos petistas aos atuais golpistas. Todos colaborando para que os trabalhadores brasileiros sofram amanhã os males que atacam os chilenos hoje.

Diante disso tudo, nós é que deveríamos dizer aos lutadores chilenos: “Queremos ser vocês hoje”. Uma ressaca brava como essa só dá pra curar nas ruas.

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terça-feira, 23 de agosto de 2016

Rumo ao volume morto nacional

O Rio de Janeiro pretende privatizar seus serviços de saneamento básico. Bahia e Espírito Santo, também. Mas parece que é só o começo.

Segundo Luiz Roberto Moraes, professor da Universidade Federal da Bahia, o tratamento de água e esgoto está para se tornar um grande “ambiente de negócios” no País. Especialista da área, Moraes concedeu entrevista para Maíra Mathias, publicada na revista da EPSJV/Fiocruz, em 17/08.

A política de saneamento básico, afirma ele, deve integrar “um pacote de concessões proposto pela União como parte do Programa de Parcerias de Investimento”. É o PPI, sigla nova para a velha privatização.

O entrevistado também diz que o capital privado está de olho, principalmente, em abastecimento de água e esgotamento sanitário, serviços que são tarifados e podem gerar grandes lucros.

O saneamento no Brasil alcança menos da metade dos lares. Mas entregá-lo à iniciativa privada é enterrar de vez a possibilidade de sua universalização. Que capitalista vai investir em esgotos em áreas pobres? Em nenhum lugar do mundo isso funcionou.

O depoente cita estudo feito por Marcelo Libânio, da Universidade Federal de Minas Gerais. O levantamento mostra que “os municípios onde a prestação do serviço de água e esgoto era feita pela autarquia municipal apresentavam os melhores indicadores para a sociedade”.

O contraexemplo vem do governo paulista, que vendeu ações da Sabesp nas Bolsas São Paulo e Nova Iorque. Uma consequência foi a diminuição dos investimentos em infraestrutura para enriquecer acionistas privados. A outra, uma crise hídrica que não apenas continua como ameaça se espalhar.

Lembram do volume morto paulista? A próxima vez pode ser em nível nacional.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Adivinhando o futuro do legado olímpico

Olimpíadas encerradas, um viajante veio do futuro nos revelar que “legado”, afinal, nos foi deixado:

...grandes projetos de reabilitação urbana, particularmente aqueles no centro da cidade e ao longo dos distritos à beira-mar, foram altamente especulativos e destrutivos de muitas maneiras.

A construção da Vila Olímpica e outras instalações:

...provocou a destruição da estrutura social e dos laços que existiam nas áreas antes das intervenções e do desalojamento de pequenos negócios locais, devido às pressões da competitividade econômica, e até a destruição do patrimônio arquitetônico. Além disso, a criação de condomínios fechados e privados, especialmente na Vila Olímpica, representou a privatização do espaço.

Além das dezenas de milhares de famílias despejadas de suas casas:

... níveis de desemprego dispararam, especialmente entre os jovens; esforços para arcar com contas de luz e água tornaram-se uma realidade generalizada; e os riscos reais de exclusão social se multiplicaram.

Mas o tal viajante do tempo não existe. Os trechos acima são do artigo “De Barcelona 1992 ao Rio 2016: Uma história de duas cidades olímpicas”, de Marta Ill-Raga, publicado pelo portal Rioonwatch, em 12/08.

Como o modelo adotado para organizar nossas olimpíadas foi o de Barcelona, o texto somente usa a experiência espanhola para projetar um cenário carioca muito provável.

Por outro lado, em 2015, o quadro social barcelonês, agravado pelos Jogos, levou à eleição de Ada Colau, uma prefeita de esquerda, líder da resistência popular aos despejos.

Seria essa a única previsão positiva? Dificilmente. É cedo para avaliar a administração Colau. E vitórias eleitorais, por si mesmas, raramente dão motivos para otimismo. Melhor apostar em muita luta e resistência. 

Leia também: Museu do Amanhã, Museu da Amnésia

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Museu do Amanhã, Museu da Amnésia

Uma das atrações mais celebradas das Olimpíadas do Rio de Janeiro é o Museu do Amanhã, no porto da Praça Mauá. Mas o nome da instituição parece trair a intenção de apagar um passado bem inconveniente.

A começar pelas “maravilhas” olímpicas, que procuram apagar da região portuária os traços deixados pelo desembarque de milhões de escravos ao longo de séculos.

Mas há outros pontos cegos dessa memória histórica de dor e resistência espalhados pela cidade carioca.

Em Jacarepaguá, por exemplo, apartamentos destinados aos jornalistas durante os Jogos foram construídos sobre um cemitério de escravos. No mesmo local, o Quilombo do Camorim teve parte de suas instalações comunitárias demolidas pelas obras.

O Riocentro sedia modalidades como levantamento de peso, tênis de mesa, boxe e vôlei. Foi lá que, em 1981, durante um show do 1º de Maio, militares do Exército tentaram explodir uma bomba para causar ferimentos e mortes entre os cerca de 20 mil presentes.

No Complexo Esportivo de Deodoro ficam um estádio e um centro aquático. Mas nos anos 1970, suas dependências foram usadas para torturar e matar militantes de esquerda. Entre eles, Chael Charles Schreier e Severino Viana Colou.

Também de triste memória é o Aeroporto do Galeão. Porta de entrada para as Olimpíadas, em suas instalações Stuart Angel foi torturado até a morte por membros da Aeronáutica.

Nenhum desses lugares presta qualquer homenagem a esses heroicos sacrifícios por liberdade e justiça social.

Nada mais coerente, portanto, que governos e mídia celebrem um museu que pretende olhar para o futuro, enquanto seus idealizadores tentam apagar um passado tão vergonhoso quanto violento.

Leia também: As maravilhas do porto para os atuais escravocratas

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

A Saúde Pública sob novos e piores ataques

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241 trata da limitação dos gastos públicos. É mais um dos golpes do governo golpista de Michel Temer.

Patrícia Cagni publicou matéria na Agência Pública sobre a proposta, em 12/08. Em discussão no Congresso Nacional, a PEC é apresentada pela equipe econômica como necessária para controlar as despesas públicas da União.

Na verdade, a proposta representa mais uma fase na destruição dos serviços públicos. No caso da Saúde, as verbas seriam congeladas, piorando o que já está ruim:

...como a população brasileira crescerá 9% e dobrará sua população idosa em 20 anos, de acordo com as previsões do IBGE, isso exigiria um aumento real do valor destinado para a saúde; entretanto, isso não ocorrerá. Em valores reais, o mesmo montante de recursos aplicado em 2017 será aplicado em 2037, havendo apenas uma correção monetária. O resultado será uma aplicação per capita cada vez menor no SUS, já que a demanda por serviços aumentará e o financiamento não, o que implicará uma piora da oferta e da qualidade dos direitos à saúde para os brasileiros. Esse exemplo da saúde é real para todos os demais direitos: educação, previdência, assistência, transporte, todos serão cada vez mais sucateados.

O texto também cita um cálculo da assessora política do Instituto de Estudos Socioeconômicos, Grazielle David. Segundo ela, “...se a PEC 241/16 estivesse em vigor desde 2003, por exemplo, a saúde teria sofrido uma perda acumulada de R$ 318 bilhões”.

Tudo isso tem um objetivo muito claro. Aumentar o caos nos serviços públicos a pretexto de sua entrega à exploração pelo grande capital.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

As maravilhas do porto para os atuais escravocratas

Em 09/08, Adriano Belisário publicou “A outra história do Porto Maravilha” na Agência Pública.

Um resumo:

Escolhido como sede olímpica, o Rio de Janeiro escolheu sua região portuária para passar por uma grande “revitalização”.

São 5 milhões de Km2 englobando três bairros inteiros e pedaços de outros quatro. Mais de 60% de seus terrenos pertenciam à União.

Os terrenos privados representavam apenas 25% da área. Estado e município detinham aproximadamente 6% cada um. O restante era da União.

Segundo o Censo de 2010, dos 10.098 domicílios da região, apenas 611 possuem renda maior que três salários mínimos. O morro da Providência reúne a maior parte dos moradores, concentrando 1.237 domicílios.

A ideia inicial era formar um consórcio público para reabilitar a área, incluindo a construção de moradias populares.

Mas a proposta foi engavetada pelos governos municipal, estadual e federal. No lugar dela, foi adotado um plano elaborado pela OAS, Odebrecht e Carioca Christiani Nielsen.

Em 2006, a área já havia sido oferecida por Cesar Maia para Parcerias Público-Privadas. Em 2009, as empreiteiras agarraram a oportunidade.

A Caixa Econômica Federal injetou R$ 3,5 bilhões do FGTS dos R$ 5 bilhões necessários à totalidade da operação. O mercado entraria com o resto.

O mercado não entrou com o resto. Nosso FGTS desembolsou mais R$ 1,5 bilhão. Eduardo Cunha teria levado R$ 52 milhões em propina para intermediar a operação.

Mesmo assim, os “investidores” privados da área ganharão isenção de impostos como IPTU e ISS por dez anos.

Mas tudo isso é muito coerente. É a região em que aportaram tantos navios negreiros revitalizada para os escravocratas contemporâneos.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

O ministro da Saúde e os esgotos

Cada vez que Ricardo Barros dá uma declaração, impossível não pensar nos esgotos do País. É o que nos leva a concluir o artigo “Indústria da doença, lucro vertiginoso”, publicado por Leandro Farias no portal Saúde Popular, em 11/08.

Farmacêutico Sanitarista da Fiocruz, Farias afirma que “apenas 48% dos domicílios brasileiros têm coleta de esgoto”. Enquanto isso, o SUS registrou em 2013 mais de 340 mil internações por infecções gastrointestinais no país. Cada “internação por essa patologia no SUS”, diz ele, custou “cerca de R$ 355,71 na média nacional”.

Ao mesmo tempo, “a Organização Mundial da Saúde, reforça o autor, afirma que “cada R$ 1 investido em saneamento gera uma economia de R$ 4 em saúde”.

O artigo também apresenta os generosos números dos negócios que exploram a saúde pública:

De acordo com o IBGE, o único setor que não sofreu queda nas vendas em 2015 foi o de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, que cresceu 3%. Os números da administradora de planos de saúde Qualicorp são claros: a empresa obteve lucro de R$ 61,4 milhões só no último trimestre de 2015, apresentando um avanço de 224% em relação ao mesmo período de 2014.

Com sua obsessão por planos de saúde, Ricardo Barros é representante direto desse mercado no governo. O mesmo governo que pretende piorar a situação, privatizando o saneamento básico e entregando mais um serviço público para a exploração pelo mercado.

E nem adianta argumentar que o objetivo é estancar a imundície que vaza das fossas nacionais. Fosse essa a intenção, não teríamos o ministro da Saúde que temos.

Leia também: Contra o impeachment... do SUS

domingo, 14 de agosto de 2016

A Escola sem Partido na caverna de Platão

A famosa parábola de Platão narra a situação de alguns homens que sempre viveram em uma caverna. Obrigados a ficar voltados para seu interior, eles acreditavam que as sombras projetadas nas paredes pela luz externa representavam toda a realidade.

Quando um deles consegue sair, descobre que do lado de fora, a vida real apresentava muito mais cores, sons, volume, sensações. De volta à escuridão, tentou convencer seus pares da ilusão de que eram vítimas. Foi considerado louco e morto por eles.

Os partidários do Escola Sem Partido tentam identificar os professores de esquerda como os cultuadores das sombras dessa fábula platônica. Seriam eles os responsáveis por manter seus alunos escravizados a suas ideologias sombrias.

Mas o principal alvo dos defensores dessa proposta é o direito à explicitação das diferenças. Sejam elas religiosas, sexuais, étnicas, culturais, políticas...

Os promotores da Escola sem Partido fingem ignorar que divergir entre si é uma das “especialidades” das forças de esquerda. Muitas delas gostam de se considerar superior às outras. Mas nem por isso, a maior e melhor parte delas defende exclusividade para suas visões.

Já a direita, adota um comportamento fundamentalista, tal como definido pelo marxista Terry Eagleton em entrevista publicada pelo El País em 12/08:

“...o fundamentalismo tem suas raízes não no ódio, mas no medo. O medo de um mundo moderno e mutante, em que tudo está em movimento. Onde a realidade é transitória e com um final não definido. Onde as certezas e os pilares mais sólidos parecem ter desaparecido”.

Contra a escola das cavernas, a coragem da educação exposta à luz do dia.

Leia também: Escola sem Partido, mas dominada por ideologias conservadoras

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Intolerância do tempo das cavernas

É possível que alguns seres humanos tenham um gene que favoreça um comportamento social tolerante e sem preconceitos. É o que revela a reportagem “O gene da tolerância”, publicada no Globo por Viviane Nogueira, em 11/08.

A matéria relata o trabalho da equipe do pesquisador brasileiro Alysson Muotri, da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia. Eles estudam a síndrome de Williams, que provoca alterações genéticas que tornam seus portadores “excessivamente sociáveis e livres de qualquer preconceito”.

Mas essa predisposição está longe de ser estranha a nossa espécie. O próprio Muotri ressalta que diferente de outros primatas, como o chimpanzé, o córtex cerebral dos humanos “evoluiu para aumentar o processamento social em quase três vezes”. Algo essencial para nos tornar colaborativos e capazes de criar “coisas muito superiores”, como “poesia, música e tecnologia”, diz ele.

O pesquisador, porém, não resiste à atual tendência de tentar condicionar nosso comportamento com remédios. Espera que ainda possamos superar nossos preconceitos “com fármacos e nos tornar mais tolerantes uns com os outros”. A indústria de medicamentos agradeceria, também.

Muotri acerta, porém, quando afirma que o preconceito foi muito útil para nossa espécie. Dezenas de milhares de anos atrás, o julgamento baseado apenas nas aparências era essencial para a sobrevivência. Ninguém ficava em dúvida sobre o que pensar das intenções de um leão ao encontrá-lo no meio do mato, por exemplo.

Mas, pensando bem, talvez haja indivíduos cujo comportamento preconceituoso realmente exija tratamento com drogas pesadas. O que não falta é gente achando que continuamos no tempo das cavernas. Principalmente, em redações de jornais, igrejas, parlamentos, governos e redes virtuais.

Leia também:
A humanidade no nível da levedura de cerveja
Fazendo selfies com Hitler

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

A humanidade no nível da levedura de cerveja

É comum que o capitalismo seja considerado uma “ordem social competitiva”. E muitos identificam nessa dinâmica apenas uma derivação de leis naturais. A competividade estaria nos genes de plantas e bichos. A cooperação seria uma exceção que tende a produzir espécies frágeis.

Não é isso, porém, que mostram recentes pesquisas divulgadas pela revista “Scientific American”. Sob o título “Pesquisa sugere que altruísmo é favorecido pelo acaso”, a reportagem relata descobertas feitas por pesquisadores das Universidades de Bath, Manchester e Princeton.

Os experimentos foram feitos com uma população composta por colaboradores e trapaceiros. Estes últimos ao invés de trabalhar para o conjunto, apenas parasitam o trabalho alheio. Pelos padrões darwinistas mais aceitos, os vagabundos tenderiam a prevalecer.

Mas aí é que surgem os problemas. Quando os trapaceiros se tornam maioria, há menos produção de alimentos e a existência de todos fica ameaçada. Enquanto isso, “mais cooperadores significa mais comida para todos e uma população maior”, concluem as pesquisas.

No caso das espécies estudadas, no entanto, o acaso é determinante. Afinal, se trata de levedura de cerveja, forma de vida que está longe de possuir qualquer nível de consciência. Como fica, então, a situação de nossa espécie, com sua elevada capacidade mental?

Bom, basta olhar à nossa volta. Os trapaceiros são, na verdade, uma pequena minoria. Apesar disso, são eles que ficam com a maior parte do que produz a grande maioria. Não são os acasos da natureza que poderão mudar isso. É a ação consciente.

É por isso que Marx afirmava que ainda vivemos na pré-história da humanidade. Pouco abaixo da levedura de cerveja, poderíamos completar.

Leia também: 2016 A.C. (Antes de Copérnico...ou Antes do Colapso)

terça-feira, 9 de agosto de 2016

O Pokemon e outras formas de ser caçado

Em 25/07, o Blog da Boitempo publicou “Pokémon Go: temos que resistir”, interessante texto de Sam Kriss.

O marxista inglês começa afirmando que é importante ficar atento a fenômenos como a recente febre da caça às pequenas criaturas animadas. Como marxistas, diz ele:

...devemos estar interessados em mudar o mundo. Não apenas alterar políticas de Estado ou substituir uma classe dominante por outra, mas transformar a própria experiência humana da realidade – passar de uma experiência alienada para uma de liberdade.

No caso do Pokemon, Kriss questiona a afirmação de que o game leve a um processo de infantilização de seus praticantes. Afinal, diz ele:

A verdadeira brincadeira das crianças figura o mundo como uma aventura; é a própria experiência sensível que é reconfigurada, e revela dimensões inusitadas ao passar por regimes sucessivos de signos. No Pokémon Go só há uma: todas as rotas já estão determinadas, todas as eventualidades estão esquadrinhadas, e todos os pontos de interesse estão marcados e são imutáveis. Não há nem a possibilidade de um passeio puramente desinteressado uma vez que o Pokémon Go cria seu mapa e seu território ao mesmo tempo.

Ou seja, o Pokémon estaria em oposição diametral à inquietação criativa da infância. Na verdade, essa perseguição guiada por telas de celular transforma-se em busca cega, cujo controle foge ao perseguidor.

Mas a mesma suspeita deveria recair sobre outras atividades que costumamos valorizar. Por exemplo, as horas dedicadas a assistir filmes, séries, novelas, esportes, reality shows. É muito provável que nesses momentos e ao contrário do que nos quer fazer acreditar o Pokemon, sejamos nós os caçados.

Leia também: Escravos de nossos monstros de bolso?

Escola sem Partido, mas dominada por ideologias conservadoras

O projeto Escola Sem Partido é pura desonestidade. A começar por seu nome, que procura transformar seus opositores em defensores de algo que não apoiam: o proselitismo político-partidário dentro das salas de aula.

A pretensão do projeto é combater a presença de qualquer ideologia nas escolas, seja de direita ou de esquerda.

Norberto Bobbio (1909-2004) é um respeitado filósofo italiano. Democrata liberal, sempre foi um crítico do marxismo. Em sua famosa obra "Dicionário de Política", o verbete “Ideologia” é assim descrito:

Tanto na linguagem política prática, como na linguagem filosófica, sociológica e político-científica, não existe talvez nenhuma outra palavra que possa ser comparada à Ideologia pela freqüência com a qual é empregada e, sobretudo, pela gama de significados diferentes que lhe são atribuídos.

A publicação também afirma que por Ideologia, os marxistas entendem “ideias e teorias que são socialmente determinadas pelas relações de dominação entre as classes”. Portanto, queiramos ou não, estamos sempre mergulhados em ideologia.

Segundo Gramsci, a ideologia dominante é formada por uma maçaroca de concepções de mundo, misturando religião, filosofia, valores tradicionais e modernos, crenças e preconceitos etc.

Mas toda essa confusão é conduzida de modo a levar à aceitação da sociedade tal como ela é, com suas injustiças e desigualdades. É a esta tarefa que se dedicam aparatos ideológicos como jornais, TVs, instituições religiosas e estatais, incluindo as próprias escolas.

A escola não deve ensinar ideologias. Deve desvendá-las. Mostrar seus condicionantes sociais e julgá-las segundo valores como solidariedade, igualdade, respeito à diferença, democracia, justiça social.

O contrário disso é querer impor o monopólio de apenas algumas ideologias. Principalmente, as conservadoras.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Escola sem Partido e sem Cidadania recruta fascistas

Os defensores do Projeto Escola sem Partido alegam combater o ensino de temas considerados de esquerda. Mas basta observar algumas de suas afirmações para verificar a enorme confusão que procuram fazer.

Um exemplo é o que afirma sobre o conceito de cidadania o advogado Miguel Nagib, principal porta-voz do projeto. Em depoimento publicado na revista da EPSJV/Fiocruz, em 06/04, ele comentou uma pesquisa do Instituto CNT/Sensus em que 78% dos professores consideram “formar cidadãos” sua principal missão. Segundo Nagib:

Esse “formar cidadãos” tem um significado muito claro: a ideia é de você despertar o senso crítico para que um estudante tenha uma visão política e crítica sobre a realidade. E todos esses dados convergem no sentido de que isso efetivamente acontece.

Ou seja, o que deveria ser comemorado, o ilustre advogado lamenta. Mas lamentável mesmo é que ele simplesmente ignore que “formar para o exercício da cidadania” está previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.

Por outro lado, Nagib tem toda razão em se preocupar. Afinal, a esquerda realmente pode fazer um bom uso da educação para a cidadania em sua luta por justiça social. Não se pode dizer o mesmo das forças de extrema-direita em relação aos seus objetivos.

Mesmo a mais liberal das abordagens sobre cidadania pressupõe uma igualdade pouco compatível com racismo, machismo, homofobia e outras formas de discriminação e opressão tão caras às forças ultraconservadoras.

Ou seja, formar cidadãos só não combina mesmo com os valores defendidos pelos partidos que estão por trás do projeto Escola Sem Partido.

Escolas sem cidadania podem se tornar bons lugares para recrutar fascistas.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

O pior terrorismo e suas maiores vítimas

“O Ocidente está sob ataque do terrorismo islâmico!”, gritam governos e jornais. Será?

Julho de 2016 foi um dos meses mais sangrentos em relação a atentados terroristas, com quase 1.900 vítimas. Onde? Europa ocidental, Inglaterra, Estados Unidos?

Vejamos:

- 1º de julho, Bahrein, uma mulher e três crianças mortas. Cisjordânia, diretor de uma escola judaica morto. Sua esposa e filhos feridos.

- 2 de julho: o grupo radical islâmico al-Shabaab mata duas meninas com idades entre quatro e cinco e feriu 19 adultos na Somália.

- Bagdá, 3 de julho, pelo menos 325 pessoas mortas e 245 feridas.

- Em 4 de julho, o Estado Islâmico sequestrou e executou 40 civis na província de Aleppo, Síria.

- Em Dallas, cinco policiais mortos e outros sete feridos no dia 7 de julho.

- 9 de julho: pelo menos 36 mortos e 143 feridos em outro ataque em Aleppo.

- 14 de julho, Nice, França, 84 mortos e 308 feridos atropelados por um caminhão.

- Baton Rouge, Louisiana, 17 de julho: 3 policiais mortos e 3 feridos.

- 18 de julho, Almaty, Cazaquistão, 6 pessoas mortas e 8 feridas. Em Würzburg, Alemanha, jovem afegão feriu 5 pessoas, em ataque com machado.

- 26 de julho, homem invade hospital japonês e esfaqueia 44 pessoas, matando 19, quase todos deficientes físicos. Assassinos inspirados no Estado Islâmico degolam um padre e ferem uma mulher em uma igreja na Normandia, França.

É só fazer as contas. As maiores vítimas do terrorismo estão no Oriente. Principalmente, em territórios cujas populações foram, e continuam a ser, violentadas por potências ocidentais.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Em O Globo, escravocratas com a palavra

Mudar CLT vai ajudar o país a crescer”, diz matéria “especial” do Globo, publicada em 28/07.

Para os “especialistas” consultados “a legislação anacrônica freia a produtividade e impede expansão sustentada”. Ou seja, a pretensão não é mudar, mas acabar com a CLT.

Algum dirigente sindical foi convidado para falar? Claro que não. Alguma liderança dos movimentos sociais? De forma alguma. Pelo menos um acadêmico com posições de esquerda? Nem pensar.

Os tais “especialistas” eram o economista José Márcio Camargo e o sociólogo José Pastore. Dois consultores muito bem pagos pelos patrões para repetir as eternas reclamações sobre o “Custo Brasil”.

Afinal, o objetivo é mostrar que a culpa da crise que castiga os trabalhadores é deles mesmos. São seus direitos “exagerados” que causam sua própria situação de desemprego e salários baixos. Quanto a sermos o país campeão em acidentes de trabalho, nenhum comentário.

Contando com a “mediação” nada imparcial dos jornalistas Merval Pereira e Míriam Leitão, os palestrantes disseram, por exemplo, que “terceirizar a produção é processo sem volta na economia”.

A matéria lista os “absurdos da CLT”. Entre eles, a hora com menos de 60 minutos para trabalho noturno, descanso obrigatório de 15 minutos para mulheres antes do início da hora extra e o prazo de até dois anos para reclamações de trabalhadores junto à Justiça.

Camargo não se contém e classifica a CLT de “inferno trabalhista”. Já Pastore, pede cuidado ao “tratar do que se considera trabalho escravo de maneira genérica”.

Nem originais os dois conseguem ser. Nos debates sobre o fim da Abolição, no século 19, também houve quem culpasse os escravos.

Leia também:
A terceirização e os ratos no Congresso
Um pacto sujo em gestação

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

2016 A.C. (Antes de Copérnico...ou Antes do Colapso)

Em 22/06, Camilla Royle publicou “Marxismo e Antropoceno” na revista marxista britânica “International Socialism Journal”. Infelizmente, ainda sem tradução, o artigo tem como tema o que vários cientistas consideram ser uma nova era geológica, o Antropoceno.

O período substituiria o Holoceno, que corresponde aos 12 mil anos que nos separam da última Idade do Gelo. Nesse intervalo surgiram a agricultura e o que chamamos de civilização.

O Antropoceno se caracterizaria pelo forte aumento da influência de nossa espécie sobre o planeta. E em relação a esta situação, o texto faz uma afirmação interessante:

O conceito de Antropoceno representa uma mudança na forma como a humanidade se vê. Cientistas no passado demonstraram como a humanidade é insignificante; Copérnico descobriu que não somos o centro do universo e Charles Darwin mostrou que não estamos no topo de uma hierarquia evolutiva. Mas agora "o futuro do único lugar no universo onde sabemos que existe vida está em nossas mãos. De repente, depois de quase 500 anos, a humanidade está no centro da cena novamente” (Lewis, Simon e Mark Maslin, 2015, "Defining the Anthropocene", Nature, edição 519).

Ou seja, teríamos voltado ao período pré-copernicano. Não em relação a voltarmos a pensar que somos o centro do universo. Mas quanto à capacidade de sermos responsáveis por nossa própria destruição. Pelo menos é o que indicam as muitas evidências de que estamos à beira de um grande colapso ecológico.

Por outro lado, a autora considera mais apropriado chamar de "capitaloceno" um período que começou depois de Copérnico e pode terminar, brevemente, em um apocalipse ambiental. Ou social, mesmo...