segunda-feira, 5 de novembro de 2012

A limitada democracia americana

As eleições presidenciais americanas se aproximam. A grande mídia costuma considerá-las uma festa da “maior democracia do mundo”. Não é bem assim.

Em primeiro lugar, a eleição para presidente não é direta. O ocupante do Executivo é escolhido por um colegiado formado por delegados eleitos nos estados. Para ser eleito, o candidato precisa obter 270 votos nesse colegiado. 

Mas a representação do colégio eleitoral é composta de forma a favorecer os estados menos populosos.  Assim, o presidente pode ser eleito sem que tenha obtido a maioria dos votos diretos. Foi o que aconteceu com George Bush, em 2000.

O pluralismo político é uma farsa. Há cerca de 70 partidos legalizados. Mas o sistema distrital favorece apenas republicanos e democratas. Na verdade, duas alas de um partido único. Só divergem quanto à melhor maneira de preservar os interesses da classe dominante americana.

Outro mecanismo limitador da democracia é o encarceramento em massa de pobres e negros. Eles formam a maior parte dos 2,3 milhões da população carcerária dos Estados Unidos. A maior do mundo.

Por fim, vale lembrar o livro “Democracia contra o capitalismo”, da marxista canadense Ellen Wood.  A democracia americana, diz ela, é “formada por muitos indivíduos particulares e isolados”. Eles elegem seus representantes e voltam a sua passividade privada. Impera o que a autora chama de “cidadania passiva e despolitizada”.

Ou seja, o sistema político da nação mais poderosa é uma das mais perfeitas ditaduras de classe que já existiu. Por isso, espalha guerra e tragédias sociais pelo mundo. A “festa democrática” americana é chata, para poucos e muito perigosa.

Leia também: A ditadura eleitoral estadunidense

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