sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Voto: direito universal e limitado

O sufrágio universal costuma simbolizar o sucesso da democracia moderna. Mas seu maior êxito favorece os poderosos. É a ilusão de que possibilita participação política para a grande maioria.

No Brasil, dezenas de milhões votam a cada dois anos e vão cuidar da vida. Enquanto isso, alguns milhares fazem política profissional. A grande maioria deles, a serviço do grande capital. Fábio Konder Comparato concedeu entrevista ao jornal Brasil de Fato, em 02/10. O título é categórico: “Na verdade, o povo não tem poder algum”.

Segundo Comparato, na democracia do sistema capitalista:

...o poder é sempre oculto e dissimulado. Os grandes empresários dizem que não são eles que fazem a lei, mas na verdade são eles que fazem o Congresso Nacional. São eles que dobram os presidentes da República. E os grandes empresários atualmente são os grandes banqueiros, os personagens do agronegócio, os industriais e os grandes comerciantes.

A recente lei da Ficha Limpa mostrou ser mais um elemento a reforçar as ilusões nas eleições. Um de seus idealizadores foi o juiz Márlon Reis. Agora, ele admite que o “eleitor vota às cegas”. Em matéria publicada pela Folha, em 10/09, Reis afirma que as contas dos candidatos só são publicadas muito tempo depois das eleições. Isso impede que os eleitores saibam quem realmente financia aqueles em quem votaram.

O voto universal foi arrancado a ferro e fogo por muitas lutas populares. Deve ser respeitado como conquista importante. Mas sem democracia econômica continuará limitado.

Apesar de tudo, é importante votar nestas eleições. E a opção universal, mesmo com todos os seus limites, são as candidaturas do PSOL.

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2 comentários:

  1. Não se esqueça dos outros partidos socialistas, como PCO, PSTU e PCB.

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  2. Não me esqueci, compa Rodolfo. E os respeito. Mas acredito que eles tenham ainda mais limitações que o PSOL.

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