sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Julho de 1917: Lênin pede calma

Mais alguns acontecimentos descritos em “October, The Story of the Russian Revolution”, de China Miéville.

Em 20 de junho, o Primeiro Regimento de Metralhadoras de Petrogrado recebeu ordens do governo provisório para fornecer 500 metralhadoras à frente de guerra. Em resposta, os soldados começaram a organizar uma manifestação contra o governo.

Enquanto isso, acontecia uma Conferência das Organizações Militares Bolcheviques. Nela, Lênin, acompanhado de uma cautelosa liderança partidária, pediu calma. Ele considerava prematura qualquer discussão sobre a tomada imediata de poder.

Era preciso ampliar o apoio das massas para alcançar esse objetivo. A prioridade agora, dizia Lênin, era aumentar a influência bolchevique nos sovietes, dominados pela esquerda moderada.

Em 1º de julho, a temperatura subiu ainda mais. O soviete solicitou que os soldados do Regimento de Metralhadoras retornassem ao quartel. Mas os soldados mantiveram seus planos de realizar uma demonstração armada insurrecional.

Neste momento, começava a Segunda Conferência Bolchevique de Petrogrado. As tensões entre as alas do partido estavam cada vez mais agudas. Os soldados bolcheviques cobravam do comitê central autorização para derrubar o governo.

A liderança bolchevique respondeu ordenando que seus militantes soldados tentassem evitar o levante a qualquer custo. Mas vários deles anunciaram com tristeza que preferiam deixar o partido a se voltar contra seus regimentos.

Tendo puxado o partido para a esquerda em abril, agora Lenin estava tentando empurrá-lo para a direita. Mas não estava dando muito certo.

O período seguinte está entre os mais decisivos para o processo revolucionário. Quem diria que a poucos meses de tomar o poder, quase toda a liderança bolchevique estaria presa ou banida?

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