quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Agosto de 1917: o golpe conservador é derrotado

Seguem mais relatos retirados de “October, The Story of the Russian Revolution”, de China Miéville.

Em 8 de julho, Kerensky assumiu como primeiro-ministro do governo provisório e nomeou o General Kornilov seu comandante-em-chefe.

Imediatamente, Kornilov propôs a volta dos fuzilamentos de soldados desertores. A proposta lhe valeu grande simpatia dos conservadores.

Em uma Conferência do Comércio e Indústria, empresários manifestaram a necessidade de entregar poderes ditatoriais a alguém que salvasse “a pátria” do caos.

“Tomem o poder”, disseram as ruas aos sovietes. Eles se recusaram e, agora, estavam sangrando com o poder que lhes restou.

No dia 19 de julho, Kornilov exigiu total independência operacional, prestando contas apenas "a sua consciência e ao povo". Kerensky começou a entender que criara um monstro.

Os dias de julho feriram os bolcheviques. Mas as feridas não eram profundas, nem permanentes.

Mesmo ressentidos com os bolcheviques, os membros dos sovietes distritais ainda os consideravam seus camaradas.

Em Kronstadt, 15 mil trabalhadores, soldados e marinheiros protestaram contra a prisão das lideranças bolcheviques.

Em abril, os bolcheviques eram 80 mil, em 78 organizações locais. Passada a crise de julho, chegaram a 200 mil, em 162 organizações. Em comparação, os mencheviques eram apenas 8 mil.

Em agosto, ocorreram eleições municipais em Petrogrado. Surpreendentemente, os bolcheviques ficaram em segundo lugar, com 184 mil votos.

Dias depois, Kerensky demitiu Kornilov. Mas ele simplesmente se recusou a sair. Era o golpe a caminho.

Felizmente, Kornilov seria derrotado. Os maiores responsáveis seriam os bolcheviques. Mas não seus líderes principais, todos presos ou banidos.

Vinda de baixo, a mesma força que esmagou Kornilov preparava a vitória de outubro.

Leia também: Julho de 1917: a contrarrevolução avança na Rússia

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