terça-feira, 2 de maio de 2017

Alexandra Kollontai e o amor que algema

Ela foi a primeira mulher a integrar o primeiro escalão de um governo. O governo bolchevique nos anos de 1917-1918. Também foi a primeira mulher a ser nomeada embaixadora. Estamos falando de Alexandra Kollontai.

Mas muito anos antes de se tornar uma grande liderança da Revolução Russa, ela já era incansável militante da luta pelos direitos e pela liberdade das mulheres no movimento socialista. Sempre enfrentando resistências no interior do Partido Bolchevique e da esquerda em geral.

Mas em sua autobiografia chama a atenção um outro tipo de dificuldade:

...é preciso dizer que eu ainda estou muito longe de ser o tipo de mulher positivamente nova. (...) ainda pertenço à geração de mulheres que cresceu num momento crítico da História. O amor e suas muitas decepções, com suas tragédias e eternas reclamações pela perfeita felicidade, ainda cumpriram um papel muito importante em minha vida. Um papel demasiado importante!

Alexandra refere-se às inúmeras vezes em que “o amor transformava-se em algema”. Esses momentos surgiam quando seu companheiro passava a ver nela:

...somente o elemento feminino, o qual tentava transformar em uma conveniente caixa de ressonância do seu próprio ego. E dessa forma, repetidas vezes chegou o inevitável momento em que tive que me desembaraçar das correntes da comunidade com um coração dolorido, mas com uma vontade soberana e não influenciada.

Exatamente por isso, Alexandra nunca deixou de lutar por “uma nova moral sexual”, como “alvo mais elevado” de sua atividade e de sua vida. Uma luta que mostra que até as maiores revoluções representam apenas os primeiros passos em qualquer processo de verdadeira libertação humana.

Leia também: Em outubro de 1917, Petrogrado é uma festa

2 comentários:

  1. Só é bom lembrar que no final de sua vida aderiu ao stalinismo, no período em que as conquistas das mulheres e dos gays estavam sendo destruídos. A despeito desta sua vergonhosa posição, seus textos continuam imprescindíveis.

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    1. A autobiografia que o texto cita foi publicada em 1926. Muito antes da morte dela, em 1952. A nota de esclarecimento da editora diz que ela chegou a apoiar a Oposição de Esquerda contra Stálin, mas acabou se adaptando à situação, morrendo no ostracismo.

      Valeu!

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