terça-feira, 18 de outubro de 2011

Neuróticos, deprimidos, mutilados: explorados

Dizem que o profissional atual é aquele que se adapta rapidamente a um mercado em constante transformação. Não tem lugar e funções fixas. Troca de empresas rapidamente. Aprende novas habilidades, enfrenta novos desafios. Muitas vezes, ele mesmo torna-se uma empresa. Pessoa jurídica contratada por grandes corporações. Sua remuneração pode ser alta, mas insegura.

A doença mais comum desse profissional é a depressão. Segundo especialistas, ela é resultado desta constante mutação na vida laboral, que tira o chão sob os pés do trabalhador. Seria o oposto da neurose. Esta ataca o trabalhador de velho tipo. Aquele disciplinado pela rotina das tarefas repetitivas, do ambiente asfixiante das tarefas coletivas e tediosas.

Mas não se trata da substituição de uma doença pela outra. Rotinas massacrantes em grandes linhas de produção continuam a existir. Um exemplo delas são os trabalhadores em telemarketing. Mal pagos e sujeitos a condições extenuantes de trabalho mental.

Outro exemplo são os operários de grandes frigoríficos. São cerca de 800 mil trabalhadores no Brasil. Com 30 anos de idade e 5 ou 6 anos de atividade, seus operários já apresentam lesões irreversíveis. O risco de um desossador de frango desenvolver uma tendinite, por exemplo, é 743% superior ao de outros trabalhadores.

Ou seja, nem a classe operária nem seus sofrimentos acabaram. Só a China criou 80 milhões de operários de 1990 a 2002. Centenas de milhares deles, vítimas das mais variadas moléstias. De deformações físicas a suicídios.

O trabalho sob o capital continua mutilando física e mentalmente. Resultado de um sistema que é, ele mesmo, um aleijão histórico.

Leia também: Os patrões como operários do apocalipse

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