terça-feira, 4 de outubro de 2011

Greve no domingo pelo direito à preguiça

Cansados de responder a e-mails e de se envolver com trabalho nas horas que deveriam ser de lazer, professores da rede privada do Rio Grande do Sul farão um "domingo de greve" amanhã.
O trecho acima é de reportagem de Felipe Bächthold para a Folha de S. Paulo, publicada em 01/10. Segundo a matéria:
...como as novas tecnologias aumentaram a disponibilidade dos professores a alunos, pais e direção da escola, eles reclamam de manter, sem pagamento extra, blogs e sites ou de colocar o conteúdo das disciplinas na internet.
O sindicato da categoria diz que essa prática chega a dobrar as horas dedicadas à escola, gerando mais casos de afastamento por doenças e estresse.

A reportagem também ouviu o economista Marcos Formiga, professor da Universidade de Brasília. Ele vê no caso “um atrito entre estudantes que têm grande intimidade com novas tecnologias e professores resistentes ao uso de novos meios de comunicação”. Algo que ele considera irreversível: “Não haverá mais educação sem o uso de tecnologias mediadoras do conhecimento", diz ele.

Mas o que parece irreversível mesmo é a invasão do tempo livre pelas relações de trabalho. E não só as formalizadas por registro em carteira. Até o mais humilde vendedor ambulante enfrenta longas jornadas de trabalho. Ou seja, nem os desempregados estão livres do controle do capital sobre suas vidas. Junto com outros direitos sociais os patrões nos tiram também o direito ao lazer.

No entanto, nada disso é recente. Já em 1883, Paul Lafargue, genro de Marx, escreveu “O direito à preguiça”. O texto denuncia o tratamento sagrado dispensado ao trabalho. Como se não fosse uma tortura para a grande maioria dos que vivem dele. Voltaremos a falar dessa obra em breve.

Leia também: O neoliberalismo nos sindicatos

Um comentário:

  1. É a ditadura das ideias. Como descansar se o "novo" capitalismo premia apenas os que se destacam por suas ideias brilhantes, seja operário da linha de montagem até o pesquisador? É um novo tipo de escravidão, onde o açoite é realizado pela competitividade, mais sutil, mas não menos avassalador.

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