quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Repressão sexual feminina e luta de classes

“O único lugar em que a mulher tem liberdade sexual é na cadeia”. Esta frase de Drauzio Varella deveria causar as mais profundas vergonha e indignação em todos os que a lessem. Principalmente, entre os homens.

A afirmação serviu de título para uma entrevista concedida por Varella e publicada em 09/07 no portal El País. O médico oncologista sabe do que está falando. Tratou de detentas durante anos. Segundo ele:

Atrás das grades da Penitenciária Feminina da Capital, no Carandiru, convivem em harmonia diversos tipos de sapatões (homossexuais que assumem aparência masculina), entendidas (homossexuais que mantêm aparência feminina) e mulheríssimas (heterossexuais que ocasionalmente tem relações com mulheres) - os termos foram criados pelas próprias presas.

Em 05/08, Varella voltou ao tema em sua coluna na Folha. Abordando a “Desigualdade judiciária” nacional, destacou a concessão de prisão domiciliar para a mulher do ex-governador Sérgio Cabral. Adriana Ancelmo obteve o direito porque tem dois filhos. Na cadeia, permanecem milhares de mulheres. Quase todas são mães, avós, bisavós. Praticamente todas, pretas e pobres.

Diante disso, Varella pergunta:

Como explicar que elas não têm direito à lei da qual se valeu essa senhora, cujo marido roubou muitos milhões a mais do que a somatória de todos os furtos e assaltos praticados pelas 2.200 prisioneiras da cadeia?

“As mulheres são reprimidas desde que nascem, não existe nenhum outro local na sociedade onde ela é livre assim como na cadeia”. Esta outra frase do médico serve para a grande maioria das mulheres. Mas as consequências dessa situação não são iguais para todas. A classe social conta. A luta de classes conta.

Leia também: A luta de classes tem que ser feminista

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