segunda-feira, 26 de junho de 2017

Bolsonaro não é a maior ameaça. Ainda

Renato Sérgio de Lima e Arthur Trindade Maranhão Costa publicaram “Medo da violência revigora tendências autoritárias e beneficia Bolsonaro” na Folha, em 25/06. O artigo revela dados de recente pesquisa Datafolha:

Para 69% dos brasileiros adultos, "o que este país necessita, principalmente, antes de leis ou planos políticos, é de alguns líderes valentes, incansáveis e dedicados em quem o povo possa depositar a sua fé".

Se forem considerados apenas pessoas dispostas a seguir “líderes valentes, incansáveis e dedicados”, o percentual sobe para 85%.

A frase utilizada na pesquisa fez parte de um estudo feito pelo marxista alemão Theodor Adorno, em 1950. Judeu e perseguido durante a Segunda Guerra, Adorno buscava compreender como o nazismo ganhou tantos adeptos na Alemanha da primeira metade do século 20.

Os autores alertam para a crescente popularidade de Bolsonaro, mas consideram que Lula e João Dória também podem encarnar "líderes valentes, incansáveis e dedicados". Além disso, certos valores defendidos por Bolsonaro batem de frente com alguns princípios neoliberais. Hoje, ele seria menos confiável para o grande capital que o ex-presidente ou o atual prefeito paulistano.

Por outro lado, Hitler era considerado um lunático pela alta burguesia nos anos 1920, mas acabou sendo a escolha dela durante a crise dos anos 1930. E não só na Alemanha. Tanto Mercedes e Volkswagen como Ford, IBM e Coca-Cola apostaram suas fichas no nazista.

Se uma nova hecatombe econômica ameaçar seus privilégios, o grande capital não terá dúvidas em apelar para as feras do apocalipse fascista. Mas a principal aposta ainda é contar com algumas ovelhas para fazer o trabalho sujo dos lobos.

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