terça-feira, 7 de março de 2017

Eleanor Marx, pioneira do feminismo socialista

De meu pai, herdei o nariz, não seu gênio. Costumava dizer a ele que poderia processá-lo por danos, já que seu nariz tinha claramente me causado prejuízos.

Estas palavras são de Eleanor Marx. Estão na biografia publicada por Rachel Holmes, em 2014, sobre aquela que Marx considerava a filha mais parecida com ele.

Brincadeiras à parte, Rachel diz que que Eleanor herdou, sim, a genialidade do pai. E que as perdas que sofreu não foram causadas por seu nariz, mas por seu sexo. Tivesse nascido homem, certamente sua enorme capacidade intelectual e incansável atuação militante teriam recebido o devido reconhecimento, inclusive pela esquerda socialista.

Foi lutando contra as enormes dificuldades de sua condição de mulher que Eleanor tornou-se uma verdadeira pioneira do feminismo socialista, garante Rachel. Graças a ela e à revolucionária alemã Clara Zetkin, diz a autora, podemos afirmar que “o feminismo começou na década de 1870, não nos anos 1970”.

Em 1886, ela publicou “A Questão Feminina: um ponto de vista socialista”, junto com seu marido, Edward Aveling. É o primeiro tratado sobre o assunto escrito por uma mulher engajada nas lutas sociais de seu tempo.

Embora totalmente solidária às campanhas por sufrágio feminino e participação das mulheres no parlamento, ela considerava essas lutas limitadas frente aos desafios da luta pela libertação feminina. Eleanor entendia que:

... a luta pela emancipação das mulheres e a igualdade entre os sexos é um pré-requisito para qualquer forma eficaz para uma revolução social progressista.

Infelizmente, o livro ainda não tem edição em português. Em breve, voltaremos a destacar algumas das façanhas dessa grande revolucionária da classe trabalhadora.

Leia também: A luta de classes tem que ser feminista

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