sábado, 10 de dezembro de 2016

Nosso pacto com Deus contra o ecossistema

Yuval Harari lançou mais um best-seller. Em “Homo Deus”, o autor israelense volta a denunciar a arrogante superioridade que nossa espécie assumiu em relação às outras. Para isso, lança mão da teologia.

Ele lembra que as religiões animistas são aquelas em que entes não-humanos também seriam habitados por espíritos. Principalmente, os animais e plantas. Tais crenças corresponderiam à fase em que nossos antepassados eram caçadores e coletores.

Nesse tipo de atividade, éramos obrigados a seguir rigidamente os ciclos biológicos. Se uma determinada planta comestível acabava, era preciso encontrá-la em outro lugar. Ou respeitar seus ciclos reprodutivos. O mesmo acontecia com a caça.

Harari diz que as religiões correspondentes a esse modo de vida seriam como “óperas” com um “elenco ilimitado de atores coloridos”.

Tudo isso mudaria com o surgimento das religiões teístas, ou seja, aquelas em que somente deuses são cultuados. A “ópera” multicolorida, diz ele, deu lugar a um “triste drama com apenas dois personagens principais: o homem e Deus”.

Passamos a ser considerados “o ápice da criação”, logo abaixo dos criadores divinos e acima de todos os outros seres vivos. Uma religiosidade que corresponderia à atividade agrícola. Em troca da proteção dos deuses para nossas colheitas passamos a destinar-lhes parte da safra.

Este “acordo”, diz ele, serviu a ambas as partes, “às custas do resto do ecossistema”. Mas como ficam as partes que ficaram de fora? Milhares de anos desprezando a importância de todas outras espécies não podem vir a nos cobrar um preço elevado demais em um futuro não tão distante?

Continua na próxima pílula, com uma rápida visita à Arca de Noé.

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