segunda-feira, 16 de julho de 2012

Hércules já não é somente grego

Rafael Poch publicou artigo no Diário de Berlim, em 11/07. O título é “Já somos todos gregos” e diz: “Agora que nos impõem as mesmas medidas, podemos entender, o que passam e sentem os gregos, de quem tentamos nos diferenciar de forma tão lamentável”.

Poch refere-se às medidas que castigam os trabalhadores espanhóis, maiores prejudicados pela crise provocada por seus patrões. Cortes de salários e de direitos que atingem desde funcionários públicos e aposentados a mineiros.

No artigo “O imperialismo e a economia política mundial hoje”, Alex Callinicos cita Gramsci:

Quando podemos imaginar que a contradição chegará a seu nó górdio, um momento normalmente insolúvel que requer a intervenção de Alexandre e sua espada? Quando toda a economia mundial se tornar capitalista e chegar a certo nível de desenvolvimento, isto é, quando a “fronteira móvel” da economia capitalista mundial chegar aos pilares de Hércules.

Na Antiguidade, pilares de Hércules era o nome que se dava ao estreito de Gibraltar. Era onde acabava o mundo conhecido: Europa, África e Ásia. A “fronteira móvel” é a vocação do capitalismo pare envolver todo o planeta. Algo que ainda não havia acontecido na época de Gramsci.

Está acontecendo agora. Difícil encontrar um canto do planeta que não esteja sob domínio das leis do mercado. Algum ponto que não apareça na rota da crise capitalista atual. E as maiores vítimas serão aqueles que sempre viveram da venda de sua força de trabalho.

Hércules não é mais somente grego. Em breve, nos sentiremos espanhóis. E se a espada de Alexandre continuar nas mãos dos poderosos já sabemos sobre quem ela vai desabar.

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