sexta-feira, 1 de junho de 2012

Saúde pública e unanimidade restrita

"Toda unanimidade é burra", disse Nelson Rodrigues. Em 18/05, reportagem do Valor Econômico destacou a famosa frase para dizer que há poucas unanimidades no Brasil. Mas destacou um grande consenso que nada tem de burro. Referindo-se a uma pesquisa de opinião do Ibope, feita no segundo semestre de 2011, o texto diz que:

Em todos os segmentos investigados (idade, sexo, renda familiar, grau de escolaridade) e, em todo o país, o que significa em todos os municípios e todos os estados, um único tema é a preocupação nacional em primeiro lugar: a saúde.

A matéria se refere à saúde pública. E ao descaso em relação a ela. Algo que fica bem demonstrado pela reportagem “O avanço do privado”, de Maíra Mathias, publicada no site da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (Fiocruz), em 11/05:

Em 2011, 47 milhões de pessoas buscaram a saúde privada, de acordo com dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar. No mesmo ano, o setor movimentou cerca de R$ 80 bilhões, enquanto o orçamento da União para a saúde ficou em R$ 72 bi.

Ou seja, o setor privado de saúde vem tomando o lugar do sistema público. Com todos os problemas que isso causa: serviços caros, insuficientes, para poucos e que desrespeitam constantemente os direitos dos assistidos.

Ao mesmo tempo, a saúde não aparece na pauta da Rio+20, um evento de importância mundial. É o que diz em entrevista ao Estadão, em 29/05, o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha. Segundo ele, os efeitos da destruição ambiental para a saúde são enormes e graves:

A consequência imediata da redução da biodiversidade é a exposição maior do ser humano ao surgimento de doenças emergentes, como hantavirose. O aquecimento global leva a agravos diretos, como é o caso das doenças pulmonares associadas à poluição. Áreas de clima temperado, onde antes não circulavam vetores da malária, dengue, passam a ter condições climáticas para a expansão desses mosquitos. Há uma relação simbiótica entre saúde e ambiente. E a face mais visível é a deterioração da qualidade de vida e da saúde. A escassez de água aumenta contaminações, casos de cólera, esquistossomose. A ocupação desordenada faz com que as pessoas se tornem mais vulneráveis às doenças. É central pensar a saúde e o desenvolvimento sustentável.

O fato é que a inteligência dos poderosos está a serviço de uma unanimidade que interessa a poucos: a busca do lucro.

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