quarta-feira, 30 de maio de 2012

Quantos bytes fazem um monstro?

“O mundo está diante de um verdadeiro tsunami de informações”. A afirmação é de Ethevaldo Siqueira, em matéria publicada no Estadão em 20/05. Segundo ele, o “volume global de dados produzidos ou replicados em 2011, por exemplo, chegou a 1,8 zettabyte, segundo o IDC (International Data Corporation)”.

O título da reportagem é “Chegou a Era do Zettabyte”. Siqueira explica o que é um zettabyte:

Meu computador tem um disco rígido (HD) com capacidade para armazenar um terabyte, ou mil gigabytes. Pois bem: um sistema com a capacidade de um zettabyte (ZB) poderia armazenar o conteúdo de 1 bilhão de HDs iguais ao de meu desktop.

Segundo a matéria, é mais um fenômeno da ordem da “Teraescala”. Ou seja, aquela de grandezas gigantescas:

Na computação do passado, as arquiteturas de sistemas lidavam com centenas de processadores. No mundo virtual de hoje, trabalham com milhões.

Mas para que serve tanta informação? Claro que não se trata de informação pura. É informação como valor, como capital. E já sabemos o que acontece quando alguma coisa se torna capital. Não à toa, Siqueira diz que:

Para lidar com situações de elevada complexidade, os cientistas criaram até uma especialidade chamada engenharia do caos, cujos recursos lhes permitem controlar situações próximas da desordem total.

“Complexidade, no sentido tecnológico, diz o jornalista, refere-se à extrema diversidade de elementos”. Mas se tudo acaba sendo intercambiável na forma de valor, o que parece diversidade torna-se igualdade. Qualidades transformadas em quantidades.

Ao que o jornalista chama de complexidade, poderíamos chamar de outra coisa. Lembremos que o prefixo “tera” vem da palavra grega “teratos”, que quer dizer "monstro". É a monstruosa desordem com que o capital e suas metamorfoses nos assombram.

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