segunda-feira, 28 de maio de 2012

“Nova classe C” tende a ser conservadora, diz petista

Marcio Pochmann é presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, ligado ao governo federal. Também deve disputar a prefeitura de Campinas pelo PT. Acaba se lançar o livro “A Nova Classe Média?”. Nele, o economista nega que a chamada “classe C” seja uma nova classe média. Seria formada por trabalhadores consumistas, individualistas e despolitizados.

Em entrevista publicada pela CartaCapital em 16/05, Pochmann apresenta vários argumentos em favor de sua tese. Dentre eles, destaca-se:

A classe média tem ativos e patrimônio. São várias características que infelizmente nós não conseguimos observar nesses segmentos que estão ascendendo. E são segmentos que, ao nosso modo de ver, dizem respeito à classe trabalhadora, tal como foi o padrão de expansão do Brasil nesses últimos dez anos.

O conceito de classe média sempre foi muito difícil de definir. Na produção teórica de Marx, ela costuma ser apontada como sinônimo de “pequena burguesia”. Seriam aqueles setores que não precisam vender sua força de trabalho. Teriam sua própria fonte de sustento: pequenas propriedades rurais, pequenas empresas e comércios etc.

Tais empreendimentos seriam os “ativos” e “patrimônio” de que fala Pochmann. Se for assim, a “classe C” não pertence à “classe média”. Mas, talvez, compartilhe o horizonte ideológico dela. É o que se pode deduzir de palavras do próprio petista sobre seus integrantes:

...na questão dos valores mais amplos da política, como pena de morte, eles majoritariamente estão atrelados a visões muito ultrapassadas.

Para Pochmann, se esse tipo de ascensão social não “vem acompanhada de um processo de conscientização”, pode “ser encaminhada para uma visão de sociedade muito diferente da que levou a uma ascensão social recente”.

Ou seja, parece que o petista teme a transformação desses setores em massa de manobra da direita conservadora. Um risco que só vem aumentando com o comportamento do partido de que Pochmann é membro. Triste exemplo é a recusa da maioria dos dirigentes do PT em apoiar lutas como o direito ao aborto e o combate à homofobia.

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