quinta-feira, 31 de maio de 2012

Cumplicidades entre universidade e mídia empresarial

Charles Ferguson ganhou o Oscar pelo documentário “Trabalho Interno". Em 27/05, a Folha de S. Paulo publicou um artigo dele. Em “A corrupção acadêmica e a crise financeira”, o diretor denuncia as relações promíscuas entre universidades e grandes empresas. Um trecho:

Hoje em dia, se você vir um célebre professor de economia depondo no Congresso ou escrevendo um artigo, são boas as chances de ele ou ela ter sido pago por alguém com grande interesse no que está em debate.

Poderíamos adaptar essa advertência para o Brasil, suas universidades e a mídia empresarial. É que de alguns anos para cá, a grande imprensa vem convidando professores universitários para debater questões polêmicas.

Antes, os convidados costumavam ser sindicalistas e lideranças populares. Não tinham muito tempo para debater e nem todos tinham posições combativas. Ainda assim, podiam causar algum desconforto para o pensamento único neoliberal.

Agora, esses dirigentes e lideranças costumam ser chamados apenas quando estoura uma greve ou um conflito mais grave. Na verdade, são muito mais convocados para dar explicações do que para defender o ponto de vista de seus representados.

Debates profundos, só com os doutores da academia. E esta, ao contrário do que parece, não forma rebeldes. A grande maioria dos diplomados é de um conservadorismo cheio de verniz.

De vez em quando, até convidam alguns acadêmicos de esquerda. Mas prevalece um ambiente cheio de pretensões neutras e científicas. É a valorização do que é dito na tranquilidade do ar condicionado. É a desqualificação dos argumentos que surgem do calor da luta.

Enfim, é um jogo sujo que, muitas vezes, é aceito com entusiasmo pela academia.

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