sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Marx apaixonado

“Amadinha do meu coração”. É assim que Marx começa uma carta a sua mulher, Jenny, em junho de 1856. Algo surpreendente para quem o vê como alguém incapaz de tais delicadezas. Vejamos outro trecho:
Basta que estejas longe e meu amor por ti aparece tal como ele é: como um gigante, no qual se acham reunidas toda energia do meu espírito e toda a vitalidade do meu coração. Sinto-me outra vez um homem, na medida em que me sinto vivendo uma grande paixão. A complexidade na qual somos envolvidos pelos estudos e pela educação modernos, bem como o ceticismo com que necessariamente relativizamos todas as impressões subjetivas e objetivas, tudo isso nos leva, muito eficazmente, a nos sentir pequenos, fracos, indecisos e titubeantes. Porém, o amor – não o amor feurbachiano pelo ser, não o amor moleschottiano pela transformação da matéria, não o amor pelo proletariado, mas o amor pela amada (no caso, o amor por ti) – torna a fazer do homem um homem.
Nada disso o desculpa de ter engravidado Helene Demuth, criada da família. O filho foi assumido por Engels, companheiro de todas as horas, para o bem e para mal.

De qualquer maneira, o que a carta revela é o que Marx imaginava serem as relações afetivas em uma sociedade justa. Aquela em que o amor tornasse cada um mais humano. Sem os obstáculos econômicos, as imposições sociais, os preconceitos. Inclusive, o machismo a que Marx fazia concessões em sua vida pessoal.

Um debate bem atual. Em pleno 2º turno eleitoral, as candidaturas abordam relações amorosas da maneira mais conservadora. Principalmente, as relações homoafetivas.

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