segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Bichos: entre a estima e a crueldade

Segundo a Associação de Produtos e Prestadores de Serviços ao Animal (Assofauna), 63% das famílias das chamadas classes A e B possuem animais de estimação. Na “classe C”, são 64%.

As razões para tamanha procura pela companhia dos bichos precisam ser melhor investigadas. A princípio, parece ser uma afirmação da necessidade humana de doar carinho. Algo cada vez mais difícil numa sociedade que gira cada vez mais em torno do interesse material.

Por outro lado, o chamado mercado “pet” também é um grande negócio. O setor movimentou cerca de R$ 9,6 bilhões no Brasil, em 2010. São produtos, equipamentos, serviços, que muitas vezes são desnecessários. E segundo muitos ambientalistas, tornaram-se novas fontes de poluição.

Mas muito pior que isso é a forma com que a indústria de alimentos tem tratado animais criados para abate. São inúmeras as denúncias de extrema crueldade com que bois, porcos, frangos, patos, coelhos são torturados antes de morrer. Em nome da produtividade, são criados em condições terríveis, cheios de dor, em lugares minúsculos e abafados.

Uma questão como essa pode parecer distante da luta dos socialistas. No entanto, a relação do ser humano com outros animais deveria ser um indicador de nosso desenvolvimento como criaturas inteligentes e sensíveis.

É o que pensava Rosa Luxemburgo, por exemplo. Isso fica claro em uma carta que ela escreveu em dezembro de 1917 para Sonia Liebknecht. Em plena prisão, a grande revolucionária lamentava a situação de um búfalo, usado como animal de carga:

“...o estábulo sombrio, o feno mofado, repugnante, misturado com a palha apodrecida, os homens desconhecidos, assustadores, e as pancadas, o sangue que corre da ferida aberta... Oh! meu pobre búfalo, meu pobre irmão querido, aqui estamos os dois tão impotentes e mudos, mas somos só um na dor, na impotência, na saudade”.

7 comentários:

  1. Pílula expressa preocupação legítima. Belíssima citação de Rosa Luxemburgo.

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  2. Prezado Sergio,
    Aprecio muito suas pílulas diárias. E faço um pedido: por favor, coloque as referências bibliográficas das citações de autores e livros.

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  3. Marcelo, obrigado por seus comentário. Mas, fica difícil citar as fontes. Tenho que fazer uma por dia nas brechas de meus afazeres. Seria mais fácil me dizer de qual informação lhe interessa saber a fonte.
    Abraço

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  4. Por enquanto: O livro de Rosa Luxemburgo citado na pílula "Bichos: entre a estima e a crueldade" e onde se encontra a citação de Marx na pílula "Marx apaixonado", de 15/10.

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  5. Lá vai: Rosa de Luxemburg ou o preço da liberdade - Jörn Schütrumpf (org.)Editora Expressão Popular – 1ª edição – São Paulo – 2006 - Tradução: Isabel Maria Loureiro.

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  6. E a citação de Marx na pílula "Marx apaixonado", de 15/10?

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  7. Leandro Konder: "Sobre o amor" (Boitempo, 2007)

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