quarta-feira, 21 de junho de 2017

Nova crise mundial pode arrastar até a China

“A bolha está se formando e, quando estourar, será o pior ‘crash’ da minha vida”, este título da matéria publicada no InfoMoney em 12/06, utiliza palavras de Jim Rogers.

Rogers é um respeitado investidor, responsável por ganhos bilionários no mercado financeiro. Para ele, “algumas ações dos Estados Unidos estão entrando em uma bolha e, quando estourar, as bolsas vão desabar”.

“Nos EUA, uma nova bolha imobiliária ameaça criar outra crise”, diz reportagem de Carlos Drummond, publicada por CartaCapital em 20/06

Segundo o artigo, os mesmos sinais da iminência da quebradeira de 2008, “ressurgiram e já se desenha a ameaça de uma reedição ainda mais destrutiva”:

Os preços dos imóveis ultrapassaram o ápice de nove anos atrás, os financiamentos estudantis e a dívida com cartões de crédito aumentaram de modo preocupante e a cotação das ações atingiu novos recordes históricos.

O texto cita Michael Hudson, professor da Universidade do Missouri e autor de livros sobre as bolhas de ativos e o parasitismo financeiro. Segundo ele, muitos economistas veem no aumento da procura de crédito um sinal de retomada econômica.

Mas, diz Hudson,”as pessoas não estão tomando mais empréstimos por se sentirem otimistas quanto à economia, mas por não conseguirem equilibrar as contas e pagar sua habitação e sua educação sem se endividar ainda mais”.

A crise de 2008 só não foi pior graças à economia chinesa. Mas agora, diz Rogers, os chineses também têm dívidas e a “dívida é muito maior (...). Vai ser o pior crash da sua vida - da minha também. Preocupe-se".

E nós, aqui, com a dupla Meirelles/Temer no comando do País. Danou-se!

terça-feira, 20 de junho de 2017

Mudamos! Para o mesmo endereço

 Laerte
Anda fazendo sucesso um aplicativo criado pelos advogados Márlon Reis, idealizador da Ficha Limpa, e Ronaldo Lemos, colunista da Folha.

É a ferramenta digital “Mudamos”, que coleta as assinaturas necessárias à tramitação de projetos de iniciativa popular na Câmara Federal.

Esse mecanismo constitucional exige a assinatura de 1% do eleitorado, distribuído em pelo menos cinco estados. Atualmente, cerca de 1,5 milhão de autógrafos.

Dois problemas: a enorme mão-de-obra para recolher tantas subscrições e um risco de fraudes proporcional à montanha de papéis resultante da coleta. Por isso mesmo, pouquíssimas vezes propostas desse tipo chegaram ao Congresso.

Na verdade, mesmo a famosa Lei da Ficha Limpa, apoiada por milhões de assinaturas, só progrediu porque foi assumida por um deputado, dispensando a necessidade de auditagem da documentação.

O dispositivo coleta assinaturas digitais por meio da tecnologia blockchain, utilizada em aplicativos de bancos. Realmente, trata-se de uma ferramenta muito mais segura do que rabiscos espalhados por toneladas de papel.

Dados como data de nascimento, CPF e título de eleitor são cruzados em segundos e vinculados aos celulares dos usuários pelo código IMEI, registro individual de cada aparelho.

O grande problema é que o “Mudamos” não altera a lógica eleitoral que coloca nos parlamentos uma enorme maioria de representantes do grande capital. A simples apresentação da proposta não significa que seja aprovada.

Sem falar em fatores como o poder das mídias empresariais. Sejam antigas, como a Globo, ou novíssimas, como o Facebook.

Pior, reforça um tipo de participação política que continua a ser tão solitária quanto a ida à urna eletrônica.

Mudar, pode até mudar. Mas nem altera o CEP.

Leia também: Militância por aplicativo

segunda-feira, 19 de junho de 2017

O terrorismo que mata pobres e causa inveja

O número de homicídios no País, em três semanas, supera a quantidade de pessoas mortas em todos os ataques terroristas no mundo nos cinco primeiros meses de 2017.

A comparação é de Samira Bueno, diretora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, referindo-se a dados do recém-lançado “Atlas da Violência”.

Samira também observa “que o crescimento econômico e a redução da desigualdade” das últimas décadas não se traduziram em índices melhores. Segundo ela, “crescimento econômico sozinho”, não basta.

O sociólogo Marcos Rolim acaba de publicar “A Formação de Jovens Violentos”. O livro apresenta um estudo feito junto a jovens violentos de 16 a 20 anos da Fundação de Atendimento Socioeducativo do Rio Grande do Sul.

O levantamento aponta dois grandes fatores para o comportamento desses jovens: a evasão escolar e o "treinamento violento". Ou seja, a convivência com armas e conflitos policiais.

Por fim, na reportagem “Aulas em meio à guerra no Rio”, publicada pelo El País em 18/06, María Martín relata:

Renan, de 13 anos, não consegue enumerar mais de três países sem travar – “Brasil, humm... Argentina, México, ah...” –, mas diz de cabeça nove tipos de armas: “Snipe, AK-47, 7.65, AR-15, Bazuca, calibre .50, calibre 12, Glock, giratória...”. Na classe ao lado, Guilherme, de 14 anos, também é capaz de imitar o som dos tiros: a rajada espaçada do AK-47, o eco seco da pistola e o estrondo de um lança-granadas. “É o que escutamos todos os dias”...

Mas essa realidade vale principalmente para os mais pobres. São eles as maiores vítimas desse nosso terrorismo cotidiano, capaz de causar inveja aos piores fanáticos.


sexta-feira, 16 de junho de 2017

Como faz falta uma boa guilhotina

É comum afirmamos que as grandes mudanças políticas na sociedade brasileira acontecem por meio de uma conciliação que deixa intactos os interesses das classes dominantes.

Proclamação da Independência, República, abolição da escravidão, golpe de 1930, término da ditadura Vargas, começo e fim da ditadura de 1964. Em todos esses exemplos, as classes dominantes locais sempre resolveram seus conflitos, não apenas sem o envolvimento do povo, como às custas dele. Afinal, se a conciliação impera entre os de cima, o pau come no lombo dos de baixo, ao menor sinal de resistência popular e mesmo na ausência dela.

A atual crise política por que passa o País parece ser consequência de uma tímida tentativa de intrometer nessa dinâmica o atendimento a algumas poucas necessidades populares. Aproveitando o desgaste do modelo neoliberal, o lulismo colocou sua cunha. O problema é que o fez pelo alto e por lá continuou, feliz prisioneiro dessa máquina de moer interesses populares que são os Estados nas sociedades de classes.

Mas toda essa conversa é apenas para reproduzir um trecho do artigo de Vladimir Safatle, publicado na Folha, em 16/06:

...países que um dia levaram seus dirigentes à guilhotina e à forca (como a França e a Inglaterra) conseguiram civilizar minimamente sua classe dirigente. Eles a civilizaram através de certo medo pelo povo que se inscreve no imaginário do poder. Com guilhotina ou não (pois isso pode ser visto apenas como metáfora), uma coisa é certa; no Brasil, falta ao poder temer o povo.

Perfeito. Mas resta saber até quando as metáforas continuarão a salvar o pescoço de nossas classes dominantes.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

O básico sobre Junho de 2013, de novo

No Brasil, no governo do PT adotou-se a emulação do crescimento (PAC – Política de Aceleração do Crescimento), visando a, em primeiro lugar, anabolizar o PIB. E a dependência da exportação de matérias-primas, hoje elegantemente denominadas commodities, agravou o processo de desindustrialização.
     
A corrupção se entranhou nas estruturas governamentais, cooptou líderes políticos como agentes de interesses privados de grandes corporações e corroeu a credibilidade ética da esquerda. Abandonou-se o horizonte socialista e acreditou-se na política de inclusão assistencialista dos mais pobres, sem alterar minimamente as estruturas sociais e os direitos de propriedade.
     
Cedeu-se à falácia de que o capitalismo é passível de humanização. Priorizou-se o acesso da população a bens pessoais (celular, computador, eletrodomésticos etc.) e não a bens sociais (alimentação, saúde, educação etc.).

Não houve empenho em preparar as bases de uma democracia participativa. Movimentos populares foram alijados como interlocutores preferenciais ou cooptados para atuarem como correia de transmissão entre governo e bases sociais.
     
É hora de fazer autocrítica e corrigir rotas, antes que seja demasiadamente tarde. Pena que, em seu congresso nacional, na primeira semana de junho, o PT tenha declinado desse dever político sob o pretexto de não dar munição aos adversários. Quem se cala, consente.

As palavras acima estão no artigo “Autocrítica da esquerda”, publicado no “Correio da Cidadania” em 13/06. São de Frei Betto, amigo pessoal de Lula.

É perfeitamente possível concordar com quase tudo o que diz o texto. Mas não é verdade que chegou a “hora de fazer autocrítica e corrigir rotas”. Este momento já ficou para trás. Mais precisamente, há exatos quatro anos.

Leia também: O básico sobre Junho de 2013